Serra da Piedade - Home Page Oficial

Home page oficial da Serra da Piedade em Caeté Minas Gerais “Aquela egrejinha , pouzada como uma águia branca nas toscas penedias que a cercam, tem sua lenda cheia de poesia, como todas as lendas brotadas da piedade christan.” Antônio Olyntho dos Santos Pires (1902)
Dos mais importantes e significativos monumentos de Minas Gerais, o conjunto da Serra da Piedade destaca-se por características “sui-generis” para uma construção do séc. XVIII, visto tratar-se de edificação de caráter religioso, com programa constituído de ermida e eremitério anexo. Acresce a circunstância de abrigar a imagem milagrosa de Nossa Senhora da Piedade, de autoria atribuída a Francisco Antônio Lisboa, tendo sido a Santa proclamada padroeira do estado, em 1958, pelo Papa João XXIII.
Por ser local voltado para peregrinações em determinadas épocas do ano, impôs-se a necessidade de se construir uma infra-estrutura de apoio para receber a grande quantidade de romeiros que sobe a Serra e ali permanecem por largo período de tempo. Esse novo complexo, ao ser concluído, longe de prejudicar o acervo já existente, só enriquecê-lo, graças a maneira criteriosa com que foi executado.
Devem ser destacados por uma questão de justiça os nomes de frei Rosário Joffily, DD. Reitor do santuário, e do arquiteto Dr. Alcides da Rocha Miranda, os quais, com grande sensibilidade, bom senso e dedicação, dirigiram as obras de ampliação do serviço.
Inserido e m contexto paisagístico de admirável beleza, o conjunto arquitetônico da Serra da Piedade é, pois, um exemplo vivo do diálogo harmonioso entro dois dos melhores períofdos representativos da arquitetura brasileira. A Ermida
A ermida, situada no ponto mais alto da Serra da Piedade, esta implantada sobre um adro, quatro degraus mais elevado que o amplo platô de terra e de seixos a sua frente. Esse platô se estende por cem metros, até encontrar imponentes rochas que servem de plano de fundo para a cena do calvário a ser ali erguida.
Esse espaço fornecido à igreja era ocupado, inicialmente, por construções muito precárias, destinadas a um pequeno comércio voltado para a venda de alimentos , bebidas e artigos religiosos, que servia de apoio as romarias. O piso era mais elevado que o atual, porém, com a abertura e pavimentação da estrada ligando a rodovia ao alto da Serra foi rebaixado, deixando a ermida com cota mais alta e com certo sentido de desproporção em relação ao entorno. Assim sendo, a criação do adro de pedras se impôs por necessidades não só funcionais, mas também estéticas.
A planta da ermida é bastante simples, apresentando nave única e capela-mor. Estas seriam, provavelmente, o núcleo da parte mais antiga, o qual veio a conatruir o eixo dominante do conjunto que foi sendo formado ao seu redor. Aí se instalou, ainda no séc. XVIII, um ermitério em torno de um pequeno pátio, à guisa de claustro, e contíguo à parte superior da capela-mor.
Em 1818, por ocasião de sua viagem pelo Distrito dos diamantes, Saint-Hilaire dá o seguinte depoimanto:
“No alto da Serra da Piedade foi construída uma capela muito grande, contra a qual se apóiam à direita e à esquerda, edifícios onde residem eremitas da montanha e peregrinos que a devoção leva a esse lugar. Todas essas construções são de pedra e datam de 40 anos atrás.”
O escritor Antônio Olyntho dos Santos Pires, que assinava com o pseudônimo de Lúcio Flória, referindo-se ao contrutor da ermida, informa que:
“resolvendo fazer uma vida de ermitão, Bracarena construiu também nos flancos da egreja uma casa, dividida em grande numero de pequenas cellas, que não só servisse de abrigo aos peregrinos que lá ião periodicamente ter, como residência para os eremícolas que quisessem se dedicar, como elle, ao culto da Virgem Divina, naquela solidão a que se acolhera. O eremitério existe ainda ...”
Não só na capela-mor, nave e suas laterais, mas também no espaço correspondente as sacristias, e em toda a parte posterior da igreja, está a construção feita por Bracarena.
Uma entrada independente, no flanco sul da ermida, leva um corredor em forma de “U”, para o qual se abrem as antigas celas. O corredor circunda um espaço aberto, o claustro, cujo quarto lado é fechado pela parede da capela-mor. Os seixos rolados com quem é calçado o piso desse claustro, conferem ao ambiente um ar de rústica simplicidade.
Atualmente, as grandes janelas que separam o claustro dos corredores estão separados por “blindex” e devidamente protegida com telhadinhos, com característicos beirais de fileiras duplas de telhas, denominados beiras-seveiras(ou beiras sob beiras ou ainda beiras sobeiras).
Ladeando a nave única, encontram-se duas pequenas galerias de menor comprimento. No início, esses espaços eram destinados à pousada dos romeiros, de um lado, e, do outro, à residência dos eremitas, havendo, inclusive, uma escada para um portão. Os compartimentos eram extremamente simples, com chão de terra batida, e a cobertura, de telha-vã. Igualmente foram anexadas às fachadas duas torres sineiras de base quadrada, salientes em relação ao retângulo inicial da planta.
Adjacentes à capela-mor, também estão dois espaços, que hoje cumprem a função de sacristia e são, por sua vez, ladeados por dois outros espaços, aumentando, mais ainda, a largura do monumento, que a partir daí, passa a conter internamente o citado convento (ou eremitério).
A simetria apresentada pela planta do conjunto, organizado em torno do eixo longitudinal formado pela sucessão de nave/capela-mor/claustro, se manifesta,, ainda, em sua volumetria, com quase idêntica articulação de massas e vãos, nos lados norte e sul.
A alvenaria de pedra das paredes – passível de ser observada em fotos antigas pertencentes à Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – apresenta-se revestida e pintada de branco em todo o exterior. Um telhado de duas águas cobre todo o monumento, sem diferenciação de planos, desde os espaços centrais e de maior pé-direito até os espaços mais periféricos e de menor altura. O contraste entre a continuidade de tratamento da cobertura e a fragmentação, o recorte e o escalonamento da massa construída, na qual se apóia, conferem ao monumento um efeito plástico bastante interessante. Todos os beirais são arrematados com beiras-seveiras.
A fachada principal, voltada para o oeste, segue a composição tradicional das igrejas mineiras construídas no mesmo período, apresentando, lateralmente, as duas torres sineiras já citadas que conferem maior destaque ao frontispício, ampliando-lhe as dimensões, tanto horizontal com verticalmente.
Hoje as torres são idênticas – antes, na do lado sul notava-se dois vãos – e têm aberturas dos sinos em arco pleno, sem molduras, nas quatro faces. Os telhadinhos pontiagudos de quatro águas, com forte galbo ao sabor oriental, receberam recentemente os arremates superiores característicos, denominados grimpas que foram acrescentadas às torres da ermida servem, também, como pára-raios.
A arquitrave que divide horizontalmente a fachada é reta, com cimalhas (molduras) de perfil simples, feitas de argamassa, não apresentando grande balanço. As quatro pilastras, igualmente feitas de argamassa, com pequena saliência e mostrando capitéis simples, marcam os cunhais e a junção das torres com o corpo central do frontispício. As cimalhas e as pilastras são pintadas na cor ocre. O frontão, sem qualquer tipo de abretura, é rematado por beiras-seveiras colocadas inclinadas e coroado com cruz simples.
A porta almofadada, de verga reta, é hoje o único vão plano da fachada. Mas uma fotografia antiga pertencente aos arquivos da SPHAN, mostra, além da porta, cuja verga era curva, um óculo acima da mesma, na chamada sobreporta, e, nas laterais, dois nichos simetricamente dispostos. Internamente, a porta conserva a verga curva da construção original.
Os demais vãos do conjunto, atualmente com vergas retas, têm tratamento muito simples: as janelas são do tipo guilhotina e as portas, como as mais antigas, são fechadas por tábuas verticais em “saia e camisa” (tipo calha) e pintadas em vermelho “sangue de boi”. O Interior A nave não tinha, no início, qualquer comunicação com as galerias laterais. A ligação entre esses espaços básicos foram feitas no sentido de ampliar o interior da capela, permitindo melhor circulação de visitantes. Hoje, a galeria da direita está dividida em duas partes por uma grade de madeira torneada (cancelo). Aí se encontra um tabernáculo de madeira, que, apesar de antigo, não pertence originalmente à ermida. A galeria da esquerda tem um pequeno altar, onde fica depositado o Santíssimo, e, em um tablado sob a janela, a pia batismal de madeira, de fatura recente e pintada de cor verde claro, reproduzindo o modelo encontrado nas redondezas.
A nave se constitui de duas partes: uma referente a entrada – o átrio – e outra, à nave propriamente dita. A diferenciação entre ambas se faz principalmente em relação à altura (pés-direitos), sedo mais baixa na entrada, porque corresponde ao coro. Também o piso se apresenta diferenciado, sendo de blocos regulares de pedra no átrio, e de madeira formando campas (sepulturas), no recinto maior. Eram usuais, na época, os sepultamentos dentro da igreja, de pessoas que faziam jus a tal honraria. Diga-se de passagem, que aí se encontram os restos mortais do próprio Bracarena.
Há que se ressaltar, inclusive, além da funcionalidade das campas, sua forte presença no ponto de vista plástico, por introduzir um reticulado bem marcado, com seu engradamento de madeira escura, que emoldura as tampas em três tabuas de madeira clara. Sem nenhum adorno ou inscrição, essas campas substituem as primitivas e, hoje, são elementos definidores da formação da nave, contando-se quatro campas na largura e cinco no comprimento, em um total de vinte.
Modernamente, em restauração feita pela Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, foi adotada, para separar a entrada do corpo da nave, divisória de “blindex”, à feição de tapa-vento, e que, a pesar de sua transparência e neutralidade, vem acentuar de maneira discreta a subdivisão existente.
O coro, sobre a entrada e sem apoios intermediários, mesmo acompanhando as linhas retas e a simplicidade interior, destaca-se por sua balaustrada de madeira escura e torneada.
As paredes, revestidas e pintadas de branco, assim como o forro, de forma alteada, e, constituído de tábuas largas em azul bem claro, conferem a unidade desses espaços, cuja característica principal é a simplicidade e o despojamento, sem qualquer tipo de ornato, a não ser as pequenas cimalhas laterais que arrematam o forro junto às paredes. Assim sendo, entre as cores claras dominantes, o destaque fica para o coro e o piso.
Em contraponto a essa singeleza descrita anteriormente, a capela-mor se apresenta ricamente ornamentada, com retábulo de grande plasticidade e pintura policromada. A separação da nave se faz pelo arco-cruzeiro, que acentua a importância da capela-mor, de vez que enquadrada perfeitamente o altar e seu retábulo, não só pela diferenciação de cor – bege – mas também por sua forma em arco pleno, que serve de moldura para a perspectiva dominante de um observador situado na nave.
A capela-mor tem dimensões exíguas, com o piso de madeira escura e tábuas largas, o qual, em seu primeiro terço, acompanha o nível da nave. Nesse espaço, estão as portas de acesso às sacristias. Em seguida, quatro degraus, ocupando toda a largura, levam ao altar-mor.
O forro, em abóbada de berço, também de tabuas largas pintadas de azul claro, termina lateralmente em cimalha de perfil simples, com solução análoga à da nave.
O retábulo, em estilo rococó, e a imagem de Nossa Senhora da Piedade, entronizada no nicho central, constituem os únicos elementos de valor artístico do conjunto e contribuem para conferir força plástica ao interior da capela.
Quanto à sua composição, o retábulo mostra estruturação bem marcada, podendo ser dividida em três partes horizontais: o embasamento, no qual deve ser inluída a mesa do altar, de contorno movimentado; o corpo propriamente dito, contendo dois nichos menores incrustados nos painéis laterais que ladeiam o vão central mais amplo; e o coroamento, rematando seu fecho por medalhão emoldurado por “rocailles” douradas onde se lê “Mater Dolorosa”.
As colunas mestras, com capitel coríntio, fuste canelado e marcação do terço inferior, são os elementos arquitetônicos de maior destaque, não só pela volumetria e pelo avanço que apresentam em relação ao plano do nicho central como, sobretudo, por se responsabilizarem pela função de demarcar vertical e lateralmente o conjunto do retábulo, promovendo a unidade entre suas divisões horizontais. Para isso as colunas-mestras se prolongam verticalmente, através do embasamento e do coroamento por meio de pilastras misuladas (de perfil curvo), que se apresentam mais robustas e destacadas, à feição de plinto, junto ao piso, sendo mais leves e com perfil sinuoso junto ao forro. Ladeando o nicho central e em contraponto com as colunas-mestras, destacam-se as pilastras formadas com mísulas, cuja decoração em “rocailles” se estende por todo o arco pleno que remata o referido nicho. Essas pilastras, assim como as colunas mestras, avançam verticalmente, através da faixa horizontal correspondente ao coroamento até o forro, após mostrarem uma interrupção que permite o lançamento de um outro arco pleno, robusto e bem marcado, pintado em vermelho, que emoldura superiormente o nicho central e serve de apoio ao elemento escultórico do fecho. Apesar do arco se apresentar como o mais forte elemento de ligação entre as partes laterais do retábulo, ele não encontra correspondência nos elementos que formam o corpo propriamente dito do retábulo.
Os elementos ornamentais da talha, constituídos principalmente de molduras, mísulas, volutas, tarjas e folhas de canto, marcam, com certa economia, as principais componentes do retábulo (frontal do altar, sacrário, nichos, pilastras e colunas), sem carregar a composição ou tirar-lhe a clareza construtiva. Apresentam relevo contido, mas que, mesmo assim, permite acentuar a forte presença do ouro que os cobre e se destaca em fundo azul claro, de pintura faiscada. Os nichos laterais apresentam, em seu interior, pintura com motivos florais (rosinhas de Malabar).
Considerando-se o bem conhecido estudo sobe os retabulos brasileiros, de autoria do arquiteto Lúcio Costa,esse, da capela mor do santuário da Serra da Piedade, tendo em vista as características apresentadas, pode ser incluído entre as manifestações barrocas brasileiras do denominado 4º período, predominantes na segunda metade do século XVIII e no início do século XIX e correspondentes ao “estilo mineiro da última fase”.
Há que se destacar ainda a presença, na capela-mor, de duas janelas laterais, protegidas por modernos vidros “blindex”, assim como um óculo na parede do fundo, atrás do nicho central, promovendo a incidência direta, sobre o retábulo e a imagem da Padroeira, da luz natural, que lhes realça a composição e a policromia, além de enfatizar sua importância plástica para a ambiência mística do interior do santuário.
A imagem da padroeira, em estilo barroco, é peça de indubitável valor artístico, não só pela riqueza de composição como pelo acabamento precioso e de grande expressividade.
Sua procedência e autoria não podem ser comprovadas: “Nada dizem os documentos encontrados a respeito da imagem, se feita no Brasil ou se viera da Metrópole”. Segundo a bibliografia mais antiga que registra a tradição oral, “A imagem que ate hoje ali se venera – e que tem fama de milagrosa – é a mesma que bracarena mandou vir de Portugal.” No entanto, a bibliografia mais recente atribuiu a Antônio Francisco Lisboa a feitura da imagem. Encontramos essa afirmação só na palavra abalizada de arquiteto Lúcio Costa, mas também no excelente “Dicionário de Artistas e Artífices dos Séculos XVIII e XIX em Minas Gerais”, de Judith Martins, como ainda, no trabalho do Professor Edmundo Bezerril Fontenelle, “O Aleijadinho na Serra da Piedade”, no qual o autor prova essa autoria, apontando na escultura as características mais marcantes do trabalho deste célebre artista.
Colocada em nicho central do retábulo e sobre um pedestal, sua formas são exaltadas pela luz que jorra da janela circular, situada na parede posterior da capela-mor. Essa luz enfatiza o efeito barroco de profundidade, pelas mutações que opera sobre as superfícies da imagem constituída de uma imagem tripartida: a Virgem Dolorosa, tendo deitado em seu regaço o filho morto, cuja cabeça repousa sobre um querubim.
Esculpida em cedro nacional e medindo 1,25m metros de altura por 1,00m de largura, apresenta-se em composição piramidal, tendo como vértice a cabeça da Virgem, cujo olhar compungido se dirige à cabeça inerte do Filho à sua esquerda. Levemente diagonal em relação à base, o corpo de cristo mostra-se com uma incorreção anatômica, com o objetivo de ser contido no colo da mãe, que a pesar de seu modelado poente, não tem espaço suficiente para conter um corpo viril como o sugerido pelo tronco que ele apóia.
Nossa Senhora da Piedade está vestida de maneira sóbria, e as varias restaurações por que passou deixaram à mostra, no panejamento, uma estamparia floral, a ouro, evidenciando o apuro e cuidado com que foi executada.

A Igreja Nova

Integrada no conjunto da Serra da Piedade, localiza-se a igreja nova, em platô de cota mais baixa que o conjunto mais antigo. Uma outra igreja, de autoria do arquiteto Alcides da Rocha Miranda

“... arquiteto do Patrimônio Histórico que há muitos anos acompanha e protege a sobras da Serra da Piedade (e que) percebeu com justa sensibilidade que, se quisermos ser fiéis à índole do lugar, teremos de somar cultura e presença do povo.”

A nova igreja é suficientemente ampla para abrigar 3000 pessoas e tem função múltipla. Segundo Frei Rosário Joffily,

“fôssemos alemães e diríamos de um só fôlego: igreja-abrigo-auditório-discoteca”.

O acesso se faz por uma estrada subsidiária da principal, que conduz ao topo da serra. Essa estrada foi implantada de modo a conservar as formações rochosas, que mostram, quase junto a nova igreja, um conjunto de maciços, houve o deslocamento de uma placa de pedra, cuja falha foi substituída por um mosaico representando Cristo ressuscitado.
Uma esbelta cruz metálica assinala o início do novo adro. Este tem proporções tão grandes que, além de conter o grande contingente de romeiros na época do jubileu, sem duvida constitui elemento de transição entre a imponência da natureza circundante e a grandiosidade da obra construída.
A igreja esta implantada em amplo espaço, delimitado, em um dos lados, por um muro de arrimo. Sua arquitetura é definida por um conjunto de planos que, basicamente, criam uma cobertura de concreto armado, em forma de pirâmide pentagonal, sobre a nave, articulada com dois outros planos, com inclinações ascendente, na entrada, e descendente, na parte posterior. Suas arestas multidirecionais são quase uma transcrição geométrica das formações geológicas pontiagudas que constituem o plano de fundo.
Internamente três dos planos d cobertura são em colméia, outro dois são lisos e se apóiam em grandes vigas que descem do vértice até os pilares. Foram criados pequenos elementos de transição entre essas vigas e os pilares, proporcionando uma abertura em toda a periferia, por onde entra uma faixa contínua de luz, que ajuda a dar leveza a cobertura. No alto, uma diferença de planos permite, também, um jorro de luz natural, que incide sobre o altar. Com relação às vedações , as paredes são cobertas por azulejos decorados, mostrando uma composição baseada em motivos teológicos, e, também, “blindex”, que garante a transparência desejada e a conseqüente visibilidade da belíssima paisagem do entorno.
Merecem destaque as preocupações que presidiram ao projeto, isto é, que a construção, em estilo contemporâneo e de linhas arrojadas, não competisse com a antiga ermida – é impossível a visão concomitante de ambas – e que houvesse a integração perfeita com a paisagem. Essa integração se fará tanto pelo uso do material local e da cor – com a predominância de ocres e ferruginosos – em elementos decorativos (azulejos), como, ainda, pela sábia decisão de deixar a natureza agir sob os materiais novos, principalmente o concreto, conferindo-lhes coloração nova e neutralizando-os.
Uma simples reflexão sobre as soluções arquitetônicas de ambas igrejas permite que sejam feitos inúmeros confrontos, mas os mais significativos se referem, basicamente, a suas formas e funções especificas, já que, estilisticamente, ambas trazem as marcas, em seus elementos construtivos, dos respectivos séculos em que foram construídas: a ermida, respeitando o estilo das construções em voga nas minas do século XVIII, e a nova igreja, em perfeita harmonia com os postulados da arquitetura moderna.
Enquanto a antiga se mostra pequena, fechada, introvertida, a igreja auditório se apresenta em grandes proporções, aberta a paisagem circundante, extrovertida.
No que diz respeito à função, a ermida em seu início, atendia aos ofícios religiosos e às romarias, adquirindo também, com o transcorrer do tempo, valor histórico e simbólico. Já a igreja nova foi concebida com pluralidade de funções, inclusive para atender, além do culto religioso, a funções culturais, destacando-se apresentações musicais, favorecidas tanto pela excelente acústica do monumento quanto pelo envolvente silencio local.

Os Anexos

A casa dos romeiros

À direita do adro, em depressão do terreno, formada pela retirada de material feita pelos eremitas, existe um anexo para abrigar os peregrinos. Com o intuito de serem evitadas interferências visuais no conjunto tombado, o projeto previu o nível da cobertura na mesma cota da praça fronteiriça à capela, constituindo-se em seu prolongamento, acrescentando-lhe cerca de 1000m².
Para dar unidade ao conjunto, o revestimento dessa cobertura é feito com seixos rolados, elementos próprios da região. Essa edificação te capacidade média para 300 pessoas.

A Casa de Orações

A sete metros de distancia da capela, está localizada a Casa de Orações, que conta em seu programa com 33 apartamentos com capacidade para três pessoas em cada um.
O programa prevê, também, ampla biblioteca, cujo acervo será constituído, principalmente, de literatura religiosa ecumênica.

A casa do Padre

Ocupando, inicialmente, uma galeria lateral à nave da ermida para seus aposentos pessoais – galeria essa que servia de habitação para os ermitãos – frei Rosário Jpffily encontrava-se ate seu falecimento morando em uma pequena casa ao ladoda igreja. Essa casa é constituída de compartimentos essencias: quarto, biblioteca, cozinha, banheiro sala de refeições e uma sala de entrada, onde moram atualmente Pe. Marcos Antonio (reitor) e Pe. José Emídio.
A construção e singela, permanecendo fora do ângulo de visão, encravada na vertente da montanha.

O restaurante

Próximo à casa do padre, encontra-se amplo restaurante, também incrustado nas encostas da serra, com grandes janelas que abrem para a paisagem circundante, o que lhe confere uma ambientação privilegiada.
O “hall” de entrada, onde está localizado um balcão para a venda de artigos religiosos, conduz à sala de refeições, que comporta dois setores separados por divisórias, sendo que o da extremidade tem, também, uma lareira. Os serviços da cozinha se fazem a nível inferior, onde ainda se encontram as instalações sanitárias sociais.
A cobertura plana, de concreto aparente, foi preparada para receber e acumular água de chuva, com o intuito de criar um elemento de neutralidade, através de um espelho que reflete o céu.

O observatório astronômico

O observatório astronômico da Universidade Federal de Minas Gerais localiza-se um pouco a diante da igreja nova, numa pequena plataforma. Uma interessante estrutura em forma de tronco de cone abriga, no primeiro pavimento, sala, cozinha, três pequenos quartos e banheiro; no segundo, um laboratório fotográfico e outro pequeno quarto; e, no terceiro, o telescópio propriamente dito. Uma escada metálica em caracol interliga os três níveis.Uma parede circular, de pedras empilhadas, colocada envolvendo um trecho da base do cone, permite a expansão da sala de estar, no primeiro nível do segundo pavimento, voltado para a magnífica vista circundante.
Externamente, a alvenaria do tronco de cone mostra faixas inclinadas, ligeiramente reentrantes, que, de duas em duas, servem não só para conter e disciplinaras pequenas janelas como para direcionar o olhar do observador para a bonita cúpula semi-esférica que serve de cobertura para o observatório. O revestimento da cúpula, de placas de cobre, mostra sistema de assentamento, à feição de meridianos, que reforça a verticalidade do monumento.
Perto do obesrvatorio astronômico se encontra, ainda, alem de uma pequena estrutura cilíndrica, também coberta com cúpula e que continha o antigo observatório, uma torre de rastreamento de aviões, pertencente ao Ministério da Aeronáutica.

O Asilo São Luiz.

Por uma estradinha, que saindo à esquerda da estrada que conduz a Caeté, no distrito de Penedia, e se estende por entre a mata, alcança-se o Asilo São Luiz. O local é extremamente aprazível, com arvoredos, formações rochosas de pequeno porte e muitas flores.
Fundado em 25 de agosto de 1878 por monsenhor Domingos Evangelista Pinheiro, para acolher meninas órfãs, filhas de mulheres escravas (“ingênuas”), nascidas após a aprovação da Lei do Ventre Livre, em 1871, pelo referido monsenhor e que conta, atualmente, com uma comunidade de 16 membros.
Cinqüenta alunas internas e vinte e duas externas, com idades que variam de 7 a 12 anos, recebem instruções da primeira a quarta series do primeiro grau, sendo que as externas recebem, também, alimentação. O Clube de Mães reúne-se às terças-feiras, quando são ensinados bordados, crochê e tricô, prevendo-se, para breve, ensino de tapeçaria.
O conjunto de edificações pertencentes ao asilo compõe-se de seis blocos, sendo três mais antigos – quase desativados, e onde se pode observar a organização em forma de claustro, isto é, avarandados em torno de um jardim – e três mais novos, onde funcionam a escola, clausura e o refeitório. A capela mostra construção nova, havendo uma casa de retiro separada das demais.
Há, também, uma pequena loja para venda de licores e doces, cuja renda é destinada à manutenção das crianças.

História
Fonte IEPHA


Limitando o vasto horizonte que se descortina desta capital pelo lado nascente,
a bella Serra da Piedade orla uma paisagem encantadora,
que se nos offerece diariamente á vista
e arranca interjeições de admiração a todos que a contemplam,
mormente ao despertar da aurora.
Aquelle pico, emergido das serranias
e podendo ser avistado de mais de uma dezena de léguas em derredor,
serviu de referencia aos primeiros bandeirantes que,
há cerca de 240 amnos, penetraram esses sertões,
então desconhecidos e quase inaccessíveis,
a principio a cata de índios que escravizavam e depois á procura de ouro...

A Serra da Piedade, um dos picos mais elevados da cordilheira do Espinhaço, com altitude de 1.783 metros, localiza-se no município de Caeté, divisa com Sabará. Sua história está estreitamente ligada a ocupação do território mineiro, como um dos mais significativos referenciais utilizados pelos primeiro aventureiros em busca de ouro.

Sua vocação mística iniciou-se a partir da lenda da menina muda de nascença, que avistando no alto da Serra da Piedade, a figura da Virgem com Jesus em seus braços, começou a falar, contando o ocorrido. Nossa Senhora reapareceu várias vezes para a menina, que, muito piedosa, foi curada .

A lenda da aparição da virgem cativou o fidalgo português Antônio da Silva Bracarena, rico oficial de cantaria que decidiu construir uma capela em homenagem à Nossa Senhora, no alto da Serra da Piedade . A ereção do templo iniciou-se a partir de setembro de 1767 , sendo que um de seus sinos data de 1770. A imagem de Nossa Senhora da Piedade , que segundo alguns autores veio da cidade do Porto, se encontra ainda hoje no altar-mor da igreja.

Após a morte de Bracarena, o Santuário foi habitado por ermitões, que viviam a rezar e a esmolar para as obras da capela. No inicio do século XIX, Padre Gonçalves Pereira, vigário de Roças Novas, resolveu tomar para si a tarefa de cuidar do templo. Nos fins de semana, autorizado pelos proprietários, subia a Serra com escravos para meditar. Esses rituais e a devoção do padre perduraram pelos cinqüenta anos em que permaneceu à frente do Santuário e passaram a atrair multidões de devotos.

O Bispo D. Frei da Santíssima Trindade, que visitou a região em 1824, testemunhou o carisma do Padre Gonçalves:

... no arraial desta capela assiste o padre José Gonçalves Pereira, que noutros tempos foi capelão da capela de Nossa Senhora da Piedade, colocada na eminência de uma serra distante da de Madre de Deus légua e meia, cuja capela é muito devota; a ela corriam muitas pessoas de romaria e outras a fazer suas confissões gerais com aquele padre (...) que é instruído em matérias morais, não é menos nos conhecimentos de teologia mística e exemplar nos seus costumes e na obediência aos seus superiores; toda a sua aplicação é na direção d’almas (exercício e emprego que tanta falta se sente neste bispado) .

Durante o século XIX, devido a sua importância, a Serra da Piedade recebeu a visita de vários viajantes estrangeiros, destacando-se, dentre eles, Johann Baptist Von Spix, Karl Friedrich Philip Von Martius, George Gardner, o Barão Wilhelm Ludwig Von Eschwege, Auguste de Saint-Hilaire e Sir Richard Burton, que deixaram suas impressões sobre o local.

O viajante francês, Auguste de Saint-Hilaire, em 1818:

Pouco tempo após haver passado por Penha, entrei em matas, e, subindo sempre cheguei enfim a uma fazenda situada ao pé da Serra da Piedade, chamada Fazenda de Antônio Lopes. (...) A parada que fiz em casa desse velho permitiu-me percorrer a Serra da Piedade, estudar sua vegetação e observar o que essa montanha apresenta de interessante. Ela tem cerca de 5.400 pés de altura (acima do nível do mar), e acha-se situada a 4 léguas da cidade de Sabará. (...) Para atingir a Serra dá-se uma grande volta; mas pode-se chegar ao cimo mesmo a cavalo. Atravessam-se então terrenos outrora cultivados e hoje cobertos de matas. São matas do tipo capoeirão, que sucedem às capoeiras, mau grado não ter encontrado nelas nenhum dos arbustos que compõem as capoeiras. Logo que se sai das matas de que venho a falar, começasse a subir uma encosta firme; o terreno é todo ferro; rochas mostram-se aqui e acolá; não se depara nenhuma fonte e a vegetação, muito fraca não apresenta se não arbustos, subarbustos e ervas. (...) A montanha termina por uma pequena plataforma, de onde se descobre o mais extenso panorama que me foi dado apreciar depois que me acho na Província de Minas...

No alto da Serra da Piedade foi construída uma capela muito grande, contra qual apoiaram à direita e à esquerda, edifícios onde residem os eremitas da montanha e os peregrinos que a devoção leva a esse lugar. Todas essas construções são de pedra e datam de 40 anos atrás. Em frente à capela vêem-se rochedos, no meio dos quais foram colocadas cruzes destinadas aos “passos” que se celebram a semana santa. (...) À capela da Piedade pertencem uma fazenda e algumas terras situadas ao pé da montanha...


O viajante escocês, George Gardner, em 1840:

No extenso norte desta planície há uma pequena igreja chamada Nossa Senhora da Piedade. (...) Deixando os cavalos perto da igreja, subimos o mais alto pico, que é de natureza rochosa e coberto pela vegetação de pequenas orquídeas e Tillandsia. (...) Somente pelas onze horas, quase duas depois de atingirmos o cimo, começaram as nuvens a dispersar-se, descortinando-nos então de todos os lados extenso panorama da região, que é toda muito montanhosa, exceto ao oeste, onde se apresenta a zona plana do sertão. Não obstante a magnificência da vista que se alcança deste ponto, faltava o prazer que deriva de contemplar do alto uma região populosa e ricamente cultivada. Apenas poucas casas se avistavam; a Vila de Santa Luiza, a seis léguas para o sul, era a única que se via, estando as outras ocultas pelas montanhas circundantes. Dois dos mais proeminentes objetos que atraem os olhos são as serras de Cocais e Caraça. Esta última, a mais alta, a umas oito léguas na direção do nordeste.


O viajante inglês, Richard Curton, em 1860:

Essa enorme crista ergue-se à nossa esquerda, com proeminência e serrotes, blocos e contorções de tortuosa ardósia micácea, apoiando-se em carvão-ferro avermelhado, óxido em sua maior parte, e extremamente abundante; aqui está, de fato, o contraforte setentrional de cadeia cujo contraforte meridional tínhamos visto em Itabira do Campo. A vegetação forma um revestimento de capim fino e um mato baixo e acinzentado. A melhor subida é por leste, via Caeté; a encosta ocidental tem um caminho, mas muito íngreme e perigoso. No alto, a duas léguas e um quarto de Sabará, eleva-se uma capelinha branca, a brilhar como uma pérola ao sol; notada de muito longe, será muito útil aos agrimensores. A Piedade, como o Caraça e o Itacolomi, iniciou a vida civilizada com seu eremita; logo a cela transformou-se em uma igreja, e posteriormente, D. João VI presenteou-o com uma fazenda contígua, como propriedade alodial “in perpetuum”. Muitos peregrinos ainda a visitam, e oferecem velas a essa “capela livre, privilegiada e manumissa”.

Em 1875, após assumir a Paróquia de Caeté, Padre Domingos Evangelista Pinheiro fundou a Irmandade leiga de Nossa Senhora da Piedade, visando proteger e gerenciar o Santuário, além de construir um asilo de órfãs. Através de concessão do Papa Pio IX, em fevereiro de 1876, o Padre Domingos conseguiu licença para criar um jubileu anual, no mês de agosto, e obter a graça de privilégio para o altar-mor da Capela em favor das almas do purgatório.

A Paróquia e Reitoria do Santuário foram concedidas aos Dominicanos em 1952, e o Padre Rosário Joffily, que lá residia desde 1949, passou a ser o seu reitor.

Em junho de 1955, Frei Rosário preocupado em preservar o patrimônio histórico, artístico e paisagístico da Serra da Piedade solicita ao Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e sua inscrição nos Livros de Tombo:

Junto à Igreja e fazendo corpo com ela, existe uma residência, o que é raríssimo no Território das Minas. O Caraça, transformando-se em Colégio, tornou-se mais conhecido; a ermida da Piedade é mais atingida e não menos interessante, sobretudo depois que a capela do Caraça foi substituída por uma igreja gótica (!). A licença para o funcionamento do culto, encontrada pelo Monsenhor Trindade nos arquivos de Mariana e publicado na revista do Patrimônio, é de 1767. D. Joaquim Silvério, que em seu livro “Sítios e Paisagens” narra pormenorisadamente o que poude ler e ouvir, desconhecendo este documento, fala que a grande imagem de Nossa Senhora da Piedade, em cedro europeu, de rude e bela talha, bem conservada quanto a madeira ainda que desfigurada por recente pintura, veio do Porto em 1750.

Depois de retirado todo reboco da construção para estudo, a pedido do arquiteto do Patrimônio, apareceu sinal de capela mais simples, sem torre, que teria sido incorporada à Igreja de 1750. O sino é de 1760.

A Serra da Piedade ela própria (Itaberabassú dos Bandeirantes) é um monumento singular. Eleva-se a mais de 1800 metros, com seus enormes blocos verticais. Do seu cume descortina-se panorama imenso, dos mais vastos no Brasil. Esta Serra que ajudou a fazer nossa história, pois o seu perfil muito característico era ponto de referencia seguro para os descobridores, é hoje mestra dessa mesma historia, pois agrada a todos e principalmente aos colegiais têr debaixo dos olhos, juntamente com as antigas cidades de Minas, os diversos sítios por onde passou Borba Gato, onde começou e findou a guerra dos emboabas, etc. etc.

É um fato, as estradas, que abrem nossas belezas naturaes ao publico, trazem freqüentemente a devastação. A Serra da Piedade não possue minério de ferro de primeira qualidade e a canga comum existe em lençóis mais finos do que na cordilheira que a prolonga. A estrada que o atual arcebispo de S. Paulo, o Cardeal Motta, há 26 anos construiu, ligando um asilo de orfans a Caeté, determinou uma mineração inquietante na base da Serra. Justamente porque as jazidas são finas, a destruição se estende rapidamente. Agora, em colaboração com o Departamento Nacional de Estradas e Rodagem, foi iniciada uma estrada até o alto; um terço está construída. É o momento de preservar este nosso patrimônio histórico-religioso, de interesse paisagístico, poderíamos dizer a pequena e a grande distancia, de um desfiguramento irreparável, justamente no momento em que a estrada para o alto ligado à grande rodovia nacional BR.31, também em construção, vae coloca-la a trinta e poucos quilômetros de Belo Horizonte.

É muito desejável que o reflorestamento agora iniciado, não sem grande sacrifício, em colaboração com serviço correspondente do Mistério da Agricultura – trabalho impossível de crear sem a ação do tempo e fácil de aniquilar – fique a salvo de futuras depredações, ruinosas sob todos os pontos de vista. As matas do Caraça, insensatamente vendidas são, mais uma vez, lição viva e atual. A 1450 metros, onde começam as nascentes e o solo permite arborização, está começada uma casa de férias para estudante e operários.

Grandes brasileiros de hontem e hoje - é do conhecimento do Exmo. Sr. Diretor do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, - tiveram e teem na maior estima a igreja e a Serra da Piedade, e nela discerniram um elemento muito característico da nossa terra, assim dizer um traço mais sensível na fisionomia das nossas montanhas. De modo que a Serra é alguma cousa que tem o poder de ir fixando a tradição e deve ser amparada pelo órgão encarregado de velar por ela.

Por estes motivos, como responsável pela administração deste patrimônio – territorialmente bem definido, com marcos cravados na rocha – convicto de que se trata de um bem religioso e cultural no sentido mais amplo do temo, queremos vê-lo ao abrigo de qualquer destruição ou deformação e aceitamos, para este fim e nos termos da lei a tutela do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.


Em setembro de 1956, o Conjunto Arquitetônico e Paisagístico do Santuário de Nossa Senhora da Piedade foi tombado pelo IPHAN através do Processo de nº 526-T-55; Inscrição nº316, Livro Histórico, folha 53; Inscrição nº 16, Livro Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, folha 04.

Dois anos depois, em novembro de 1958, a imagem de Nossa Senhora da Piedade do Santuário foi proclamada Padroeira do Estado de Minas Gerais, pelo Papa João XXIII; sendo posteriormente realizadas as solenidades da Consagração, em julho de 1960, em Belo Horizonte.

Em 1989, a Constituição Estadual, nos Atos das Disposições Transitórias, estabeleceu:

Artigo 84 – Ficam tombados par fins de conservação e declarados monumentos naturais os Picos do Itabirito ou do Itabira, do Ibituruna e do Itambé e as Serras do Caraça, da Piedade, de Ibitipoca, do Cabral e, no planalto de Poços de Caldas, a de São Domingos.
§1º - O Estado providenciará, no prazo de trezentos e sessenta dias, contados da promulgação de sua constituição, a demarcação das unidades de conservação de que trata este artigo e cujos limites serão definidos em lei.


Em setembro de 2001, a Serra da Piedade foi eleita “Símbolo de Caeté” por mais de 3.000 mil eleitores. O Plano Diretor de Sabará, aprovado pela Câmara de Vereadores em janeiro de 2004, definiu o Conjunto da Serra da Piedade como área de Interesse Ambiental II – AIA II.

A Assembléia Legislativa de Minas Gerais, aprovou em maio de 2004, a redação final do Projeto de Lei nº 1.174/2003, que propôs a regulamentação da delimitação da área de monumento natural da Serra da Piedade. Foram considerados os seguintes parâmetros abaixo relacionados, apresentados pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Ambiental – CODEMA de Caeté, que nortearam a delimitação do perímetro de proteção estabelecido pela Lei nº 15.178/2004:

1 – O parâmetro fundamental foi o tombamento federal do “Conjunto paisagístico e Arquitetônico do Santuário de Nossa Senhora da Piedade”, feito em 26/09/1956 pelo IPHAN – Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, restrito naquela época às áreas da mitra; e isso norteou todas as outras análises feita.
2 – No Município de Caeté, a delimitação foi baseada no art. 202, inciso I da Lei Orgânica, que considera tombado, para fins de preservação e declarado monumento natural, paisagístico e histórico “O conjunto cultural, arquitetônico, paisagístico e natural da Serra da Piedade a partir da cota de 1200 metros, dentro do município”. Observa-se que nesta área não há interferência direta com a ocupação humana urbanizada e com atividades econômicas.
3 – A importância natural, histórica, cultural, religiosa e paisagística da Serra da Piedade para Minas Gerais está relacionada com o conjunto da área proposta através dessa delimitação.
4 – No cume da área proposta estão o Santuário de Nossa Senhora da Piedade, padroeira de Minas Gerais, o Observatório Astronômico pertencente à UFMG e os radares do CINDACTA, uma das unidades que controla o espaço aéreo. A delimitação para o Monumento Natura abrange o conjunto e o seu entorno.
5 – Foi também levado em conta que a maior parte da área proposta já é considerada área de preservação permanente pelas suas características de alta declividade, segundo a legislação florestal.
6 – Outro aspecto considerado importante para a delimitação do Monumento Natural, foi quanto aos recursos hídricos, pois nessa área encontram-se mais de 80 (oitenta) nascentes conhecidas, com águas de classe especial e classe 1, constituindo importantíssimos mananciais existentes e futuros para o abastecimento das populações das sub-bacias Caeté-Sabará e Ribeirão Vermelho, do Rio das Velhas, o que será imprescindível para os municípios de Caeté e Sabará e para o equilíbrio do ecossistema local.
7- O aspecto cênico mais significativo do conjunto paisagístico da Serra da Piedade, assim como a sua linha de perfil e alinhamento montanhoso, encontram-se dentro da delimitação proposta para o Monumento Natural da Serra da Piedade.
8 – É nessa porção da Serra da Piedade, caracterizada pela floresta estacional semi-decidual e pela vegetação rupestre e por um micro-clima próprio, que observa-se fauna e flora decorrentes. Segundo o documento “Biodiversidade em Minas Gerais – um Atlas para a as conservação”, a região da Serra da Piedade é de importância Biológica extrema, funciona como laboratório natural para a evolução dos anuros do sudoeste do Brasil e possui espécies da flora ameaçadas de extinção, além de espécies de bromélias endêmicas.
9 – No município de Sabará, a delimitação da Serra da Piedade a fazer parte do Monumento Natural foi baseada principalmente na necessidade de visibilidade e ambiência do bem tombado pelo IPHAN e as coordenadas propostas para essa região, a qual é visualizada vindo da Região Metropolitana de Belo Horizonte pela principal via de acesso (BR 381), tiveram como objetivo atender esse aspecto importante e imprescindível conferido ao tombamento.
10 – A Serra da Piedade, de acordo com o IGA, está localizada entre as coordenadas geográficas de 19º 55’ Lat. S, e 43º 50’ Long. W e a delimitação proposta correspondente a aproximadamente 39% do total do seu alinhamento montanhoso.

Em 16 de junho de 2004, o governador do Estado sancionou a Lei nº 15.178/2004, que define os limites de conservação da Serra da Piedade, conforme previsto pela Constituição Estadual.

Geografia
(Maria Elizabeth Taitson Bueno – Professora do Departamento de Geografia. Instituto de Geociências – UFMG)

Situada nas proximidades de Belo Horizonte, a Serra da Piedade apresenta-se como um importantíssimo marco histórico, religioso, paisagístico e turístico.
Além disso, a área da Serra pode ser percebida como um microcosmo, uma verdadeira síntese da região central de Minas, pois nela se encontram, lado a lado e em integração, a montanha, os vales, as rochas e as formações vegetais do campo, da mata e do cerrado.
Para que esse importante patrimônio, que é a Serra da Piedade, possa continuar a desempenhar e a fortalecer essa função de marco e síntese da historia, da geografia e da cultura de Minas Gerais, é necessário despertar a consciência não só daqueles que a visitam, mas também, dos administradores, tanto do município quanto do Estado, além de todos aqueles que se voltam, em números cada vez maiores, para a valorização e a preservação do meio ambiente.
A elevação denominada Serra da Piedade situa-se no atual município de Caeté, distando cerca de 30 km, em linha reta, do centro de Belo Horizonte, a leste desta cidade.
Está localizada entre 19º 48’ e 19º 50’ de latitude sul, e entre 43º 39’ e 43º 42’ de longitude oeste. Seu ponto culminante está cotado m 1746m acima do nível do mar.
No sentido norte-sul, o conjunto da Serra da Piedade estende-se por, aproximadamente, 2 km, e, no sentido leste-oeste, por cerca de 4 km.
Para a população que vive na região, a Serra da Piedade é apenas a elevação maior, formando um bloco maciço, com as medidas acima referidas e apresentando cerca de 500 m de desnível do sopé ao ponto mais alto.
Para os primeiros viajantes das regiões das Minas, para os quais Serra era importante referencia, o conceito parecer ter sido o mesmo:
“É somente no lugar em que as matas deixam de aparecer e onde a terra não mais se presta à cultura, que a montanha toma, na região, o nome de Serra da Piedade.” (Saint-Hilaire/1974)
No entanto, nos mapas, o conjunto denominado Serra da Piedade é bem mais extenso. Embora o limite a leste coincida com aquele a que se refere a população local, o limite a oeste fica muito mais distante, atingido o dobro da extensão anteriormente citada. Á área tombada pela Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, do Ministério da Cultura, restringe-se à área menor.
A Serra da Piedade situa-se na unidade morfológica denominada Quadrilátero Ferrífero. Essa unidade abrange, no seu todo, cerca de 7000 km², ocupando uma parte da área central do Estado de Minas Gerais. Trata-se de uma unidade territorial complexa, do ponto de vista geológico e estrutural, guardando, até hoje, muitos enigmas a serem explicados. O Quadrilátero Ferrífero apresenta como limites: ao norte, o alinhamento da Serra do Curral, de direção geral sudoeste-nordeste; ao sul, a Serra de Ouro Branco; a oeste, a Serra da Moeda e, a leste, o conjunto formado pela Serra do Caraça e pelo inicio da Serra do Espinhaço. Em todas essa elevações, com exceção do Espinhaço, predominam as rochas da chamada Série de Minas, ou Supergrupo Minas. O Quadrilátero Ferrífero formava, em épocas remotas, uma espécie de barreira que limitava, ao sul, o grande mar interior de São Francisca, origem atual da bacia sedimentar são franciscana.

Geomorfologia.

Do ponto de vista da geomorfologia microrregional, a Serra da Piedade faz parte do conjunto denominado genericamente Serra do Curral, medindo cerca de 95 km a partir das proximidades da represa Benfica, no rio São João, que banha a cidade de Itaúna, e alcançando, na extremidade nordeste, o município de Caeté. Assume denominações locais como Serra de Itatiaiuçu, Serra Azul, Fecho do Funil, Três Irmãos, Serra Rola-Moça, Serra da Mutuca, do Curral, Taquaril, Serra da Piedade e Morro da Descoberta. Além desses nomes mais conhecidos, existe enorme variedade de outras designações locais, tanto populares quanto registradas nos mapas.
Esse grande alinhamento apresenta características geológicas, estruturais e topográficas semelhantes. O topo é revestido por uma cobertura de canga, espécie de couraça ferruginosa, formada de sesquióxido de ferro, que desempenha a função de proteção contra a erosão. Ela apresenta fendas e pequenas cavidades, tendo Rizzini (1966) usado a denominação “canga couraçada” para diferencia-la da “canga nodular”:
“A concreção ferrosa forma uma couraça, ou lajeado , sobre o substrato, mas é lacunosa como lava vulcânica, isto é, mostra-se repleta de cavidades. As plantas intrometem as raízes nessa fendas, mas algumas permanecem por cima da canga sem penetra-la”.
Na Serra da Piedade, como no restante do Quadrilátero Ferrífero, a canga couraçada aparece sempre acima de 1200 m. já a canga nodular “ocorre em altitudes inferiores a 1000 m.” (Rizzini, 1966)

Vegetação.

A vegetação na Serra da Piedade apresenta as mesmas características do restante da Serra do Curral, estando, no entanto, bastante mais preservada. É a vegetação típica das áreas de altitudes elevadas. À medida que se sobe, a vegetação diminui de porte. No sopé, tem-se a mata fechada de encosta, remanescente da floresta tropical que recobria extensa área de Minas. Essa mata, apesar de ter sido continuamente devastada, acha-se em processo de recomposição. A partir desse nível, a vegetação torna-se mais aberta, menos densa e de menor porte, transformando-se, também qualitativamente, com espécies que não aparecem na mata. No topo, a modificação é radical: as áreas cobertas pela canga suportam uma cobertura vegetal típica, classificada como campo de altitude ou campo rupestre. Onde afloram a rocha nua, sem a presença de solo, notam-se poucos vestígios de vegetação, que só aparecer pontualmente nas frestas onde há maior umidade e rochas em inicio de decomposição. Na região do entorno encontram-se manchas de cerrado.

Aspectos climáticos.

O clima da região montanhosa do Quadrilátero Ferrífero apresenta características não muito diferenciadas. Pode ser, a grosso modo, classificado como subtropical de altitude (Vianello Maia/1986). Apresenta temperatura media do mês mais frio, geralmente julho, inferior a 18ºC, e temperatura media do mês mais quente sempre inferior a 22ºC.
A pluviosidade na região apresenta dois períodos distintos: um, chuvoso, correspondente aos meses de primavera-verão, e um, seco, correspondente aos meses de outono-inverno. A concentração maior de chuvas ocorre nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, quando se precipita cerca da metade da pluviosidade total anual, acima dos 1500mm.
As temperaturas na área central de Minas sofrem forte influencia da altitude. Na região de Cate, a temperatura media anual situa-se em torno de 19ºC. Na Serra da Piedade, a media é ainda mais baixa, pois a medida que a altitude aumenta, há decréscimo na temperatura. Sabe-se que, para cada 100m que se sobe há, em média, uma redução de 3ºC. Assim é possível supor que, no alto da Serra, a média anual de temperatura se situe em torno de 16ºC. A falta de um posto metereológico local não permite precisão maior quanto aos dados climáticos. Mas, de acordo com observações dos que “vivem a Serra”, a pluviosidade é mais lata que nas regiões próximas e a temperatura absoluta pode chegar bem próximo de 0ºC, nas noites mais frias de inverno.
Em relação à insolação média anual, a região próxima a Serra apresenta em torno de 2400 horas anuais de sol. No entanto, apresenta-se, durante boa parte do ano, envolta em névoa úmida, fato que ocasiona sensível redução do numero de horas sol. Quanto à chamada bruma seca, a Serra, nas suas partes mais altas, não é praticamente atingida pela mesma. Até mesmo nos meses de agosto e setembro, época das queimadas, a bruma seca não chega a atingir o topo. Por seu turno, a paisagem em níveis topográficos mais baixos, quando observada do alto da Serra, fica, nessa época, envolta em densa névoa, que recobre vasta região.
A posição da Serra da Piedade e de todo o alinhamento da Serra do Curral, de direção quase oeste-leste, faz com que essa cadeia montanhosa funcione como anteparo em relação ao curso normal das frentes polares vindas do sul, provocando a ascensão dessas massas de ar que, no contato com camadas superiores da atmosfera, mais frias, originam precipitações leves, maior umidade atmosférica e a formação de névoa úmida. Essa situação é típica das regiões de montanha, podendo ocorrer em qualquer época do ano, sendo, entretanto, mais comum no inverno.
Já as chuvas de verão vêm do norte e noroeste, trazidas pelas linhas de instabilidade tropicais. Nessa estação do ano, a região Sudeste assume a posição de contato entre o ar quente da zona tropical, que caminha para o sul, e o ar frio da frente polar, que avança em direção às regiões equatoriais (Nimer, 1977). Como conseqüência desse encontro de massas de ar diferentes, a região Sudeste é submetida, nessa época do ano, a ventos e chuvas, algumas vezes acompanhados de granizo. Geralmente, as chuvas caem sob forma de pesado aguaceiro e são de curta duração. No entanto, se a frente polar consegue atingir a região e aí estabilizar-se por algum tempo, as chuvas poderão durar vários dias, até que a frente se desloque ou seja dissipada.
As chuvas da Serra da Piedade podem ser, então, classificadas em dois grandes tipos: as do verão, causadas pela circulação atmosférica geral, e as chuvas orogênicas, mais leves e de curta duração, provocada localmente pela presença da barreira montanhosa.

O perfil da Serra.

Observando-se o perfil da Serra da Piedade, é fácil notar que a face voltada para o sul é muito mais íngreme que a face norte. Na face sul, a cobertura de canga é pouco significativa, sendo muito mais extensa na outra vertente. Além disso, a vertente sul é muito mais úmida por receber mais diretamente os ventos frios e úmidos da frente polar. A vegetação é mais densa, de maior porte, e a espécies apresentam diferenças em relação àquelas da outra face.
A essas características acrescenta-se mais uma. No hemisfério meridional, nas vertentes voltadas para o pólo sul, os raios solares incidem obliquamente, sendo essas vertentes, portanto, mais frias e úmidas. Em Minas e São Paulo e, talvez, mesmo em outras regiões do país, são chamadas de “face noruega”.
Todos esses fatores contribuem para que a vertente sul, na Serra, seja menos acessível e menos conhecida que a norte.
Uma área situada em região tropical, com as características físicas da Serra da Piedade, isto é, forte declividade, cobertura vegetal pouco densa, alta pluviosidade concentrada em alguns meses caindo, muitas vezes, sob a forma de fortes aguaceiros, está normalmente sujeita a intenso processo erosivo. Se a esses elementos acrescentar-se a ação antrópica, responsável por desmatamento e queimadas, alem do fato de ser uma área de mineração, a região poderia apresentar-se como altamente afetada pela erosão. No entanto, tal não tem ocorrido, em grande parte, devido ao fato do tombamento da Serra ter antecedido o intenso processo de ocupação que se verificou em áreas semelhantes do Quadrilátero Ferrífero. As minerações de ferro foram desviadas, bem como os poucos grupos existentes.
É importante acrescentar que as regiões de montanha apresentam um frágil equilíbrio nos seus ecossistemas, devendo receber um manejo adequando. Até mesmo as áreas periféricas ao espaço montanhoso, objeto dessa analise, devem receber um tratamento diferenciado, de acordo com normas que deverão ser claramente estabelecidas na legislação municipal sobre o uso do solo.

Aspectos humanos.

A Serra da Piedade localiza-se em uma região onde teve inicio o povoamento de Minas Gerais. O fato da Serra estar situada na mais importante região produtora de ouro, aliado à importância, fez com que se tornasse importante marco, citado por todos os que por ali passava. Vários viajantes estrangeiros deixaram por escrito referencias à Serra. Já como o nome de Serra da Piedade, foi citada nas obras de Eschwege, Saint-Hilaire, Burton, Bunbury e Gardner, que aqui estiveram no decorrer do século XIX.

Os caminhos.

No Brasil Colônia, o território que hoje constitui Minas Gerais era cortado, de norte a sul, por dois eixos viários principais, separados entre si pela cadeia do Espinhaço. Esses caminhos ligavam o Tijuco (hoje, Diamantina) Vila Rica (Ouro Preto). Daí para o sul, a direção era a Corte. Esses dois eixos possuíam uma ligação transversal, que, partindo de Sabará em direção ao nordeste, passava por Pompeu, Mestre Caetano, Cuiabá, Caeté, Serra da Piedade, juntando-se ao caminho de leste, no alto curso dos rios Santa Bárbara e Santo Antonio, ambos afluentes do rio Doce. Caminhos secundários colocavam arraias e vilas em contato com as vias principais, acima citadas. Subsistem até hoje muitos trechos de rede viárias da época da Colônia. Algumas estradas ainda guardam a aparência e o traçado da época da decadência de minas e de distancias em distancias, encontram-se povoados, onde se destacam a igreja principal, geralmente majestosa, e capelas, em meio ao casario miúdo. O trecho de estrada que ligava Sabará a Caeté foi recentemente asfaltado. Embora seu trajeto primitivo fosse ao longo do vale, hoje passa pelo espigão, propiciando magnífica visão da Serra, a partir do lado sul.
Atualmente, as ligações ferroviárias e rodoviárias regionais têm como pólo de convergência a cidade de Belo horizonte, capital do Estado, o que explicaria a relativamente alta densidade da rede viária.

Uso do solo.

O fato do município de Caeté estar inserido numa região metropolitana afeta de modo cada vez mais decisivo o uso e a ocupação do solo na região da Serra. A demanda crescente de espaço em torno das metrópoles provoca o avanço das áreas urbanizadas, mesmo em áreas pouco adequadas a essa finalidade. No caso dos municípios próximos a Serra – Caeté e Sabará – o grande obstáculo é a intensa movimentação do relevo. No entanto, quando a pressão é muito forte, mesmo esse obstáculo são superados. A ocupa;cão sem planejamento nas áreas de forte declive, além de trazer danos incontáveis ao meio ambiente, coloca em risco as populações aí residentes.
Analisando-se a ocupação atual do solo na regia da Serra da Piedade, percebe-se que a mais agressiva ao ambiente é a atividade mineradora. Do alto da Serra, são visíveis as grandes manchas desprovidas de vegetação, onde se faz a extração do minério de ferro. É de fundamental importância que haja projetos de recuperação dessas áreas. A outra atividade que põe em risco o equilíbrio ambiental é a urbanização desordenada, como já foi referido anteriormente.
Quanto a atividade agrícola, a mais expressiva na região é a cultura da banana, feita, geralmente nas meia-encostas, em propriedades não muito extensas. Observações de campo sugerem ser essa atividade, pelo menos no estágio em que se encontra atualmente, desenvolvida de modo harmônico com as condições ambientais da região. Também as pastagens ocupam uma importante extensão. Finalmente, uma outra atividade que vem se expandindo na área é a cultura do eucalipto, feita, principalmente, para atender à demanda da principal indústria aí localizada, a siderúrgica. Essa atividade deve, também, ser controlada, para que se evite a extinção da fauna e da flora regionais.